Hot Beats Music Conference 2026 – Entrevista com Kevin Di Serna
Entre batidas hipnóticas, pistas lotadas e uma conexão cada vez mais forte com o público brasileiro, Kevin Di Serna
Entre batidas hipnóticas, pistas lotadas e uma conexão cada vez mais forte com o público brasileiro, Kevin Di Serna conversou com Victor Flosi da Drop sobre música, carreira e os bastidores da cena eletrônica atual. Em uma entrevista marcada por autenticidade e visão artística, os dois compartilharam experiências e reflexões sobre o crescimento da cultura eletrônica na América Latina — além de revelar o que move sua jornada dentro e fora das pistas.
Como você está, cara?
Muito feliz, estamos aqui participando das conferências da Hot, expandindo a cultura dessa música tão maravilhosa que a gente ama.
Bom, incrível ter você aqui. Muito obrigado por falar com a gente. Agora, o Progressive House aqui no Brasil está em uma ascensão muito boa. Acabei de fazer uma entrevista com o Hernan e estávamos conversando nos bastidores sobre como a música sempre foi muito forte no Sul, mas agora São Paulo está começando a ganhar mais tração. O que você pensa sobre isso? Você já tocou no D-Edge também. Como você vê o Progressive House aqui no Brasil?
Bom, é uma realidade que a cena do Progressive House sempre foi muito forte na região Sul e agora está se expandindo por todo o Brasil. O mainstream também está ajudando muito, como o Tomorrowland, que está fazendo a edição aqui e tem o Crystal Garden, que também ajuda a expandir o gênero. Existe um dia dedicado ao Progressive House, no qual tive a oportunidade de participar. Obviamente, algo tão grande como o Tomorrowland ajuda o gênero a se expandir para outros lugares. Também temos o D-Edge aqui em São Paulo, então as marcas começam a crescer graças ao gênero estar ocupando, no bom sentido, novas praças.
Eu acredito que isso é uma troca cultural, porque é muito forte na Argentina e, mesmo que as cenas sejam muito diferentes, tudo o que acontece lá é completamente diferente do que temos aqui.
Mas você acredita que essa mistura aparece ainda mais quando vemos as pessoas dançando na pista? Dá para sentir que está começando agora ou ainda estamos longe disso?
Bom, eu sinto que o mais bonito é perceber que brasileiros e argentinos são uma irmandade, somos parte da América Latina. Existem alguns aspectos que às vezes dividem os países e outros que os unem. Às vezes o futebol pode criar uma divisão, determinadas idéias políticas também, mas a força da música tem a capacidade de nos unificar.
Estávamos falando especificamente do House Progressivo, que também está crescendo graças ao Hernan Cattaneo e toda a relevância que ele possui com o Warung, por exemplo, algo muito forte. Ele teve a honra de fazer o closing de um clube mítico e eu também tenho a honra de estar muito próximo dele, colaborando, fazendo músicas e tracks juntos. Isso também me ajuda a fazer meu nome ressoar mais nesses lugares e hoje participar deste espaço também ajuda a expandir toda a cultura e o gênero.
Você acha que isso foi um ponto de virada? Ter o suporte do mestre, ter alguém olhando seu som, suas músicas e tudo mais? Você acredita que nos últimos 5 ou 10 anos da sua carreira isso mudou tudo?
Sim, acredito que existe uma evolução sonora. Particularmente, o público do Progressive House tem algo muito valioso e diferente dos outros gêneros. Existem gêneros mais rítmicos, como o Tech House, que abraçam mais a conexão com o groove e com a terra. Existem outros mais intensos, como o Hard Techno, que também está crescendo muito agora.
O Progressive House, quando é conduzido por um bom DJ, parece reunir tudo em um só lugar, porque existe um componente rítmico muito forte e também um componente emocional. É uma viagem que permite uma conexão muito forte com a sensibilidade. Por isso, a pessoa que entende a essência do Progressive House se torna fã do gênero e é difícil sair dele, justamente por toda essa carga emocional e sensível que ele possui.
Você entra, mas não sai.
Isso é muito verdade. A primeira vez que você entra, parece impossível voltar. É maravilhoso.
Incrível. E o que podemos esperar do futuro? Tem algo que você pode contar? Algum show, algum pensamento, algum plano?
Estou construindo aos poucos uma gravadora. Sabe que alguns anos atrás eu tive uma virada interna em relação à palavra “selo”. Eu vejo isso como algo que realmente tenha identidade, algo para contar. Existem infinitas labels hoje em dia, mas acredito que os selos que conseguem transcender são aqueles que possuem uma identidade verdadeira e algo acima do restante.
Isso pode levar muitos anos para ser construído, para criar uma identidade sonora pessoal e se tornar uma marca real, algo que você possa defender e ajudar a expandir pelo mundo. Então estou construindo isso.
Também tenho um show chamado “Consciencial”, que é algo mais pessoal. Já mostrei uma pequena porcentagem do que isso será no futuro. Também inclui aspectos de conferências e musicoterapia, algo no qual tenho muito interesse. Quero mergulhar ainda mais no poder curativo que a música pode ter, porque isso também faz parte do meu propósito.
Lindo, isso me encanta muito porque eu consigo viver e sentir isso, é realmente incrível.
Bom, parabéns por isso. Foi um prazer falar com você.
É isso, terminamos, mas hoje à noite temos D-edge..
Exatamente.
Bom, nos vemos lá e amanhã vou estar por lá também.
É isso galera, falamos com Kevin Di Serna aqui direto da Hot Beats Music Conference 2026, valeu!