{"id":6739,"date":"2026-01-29T17:11:19","date_gmt":"2026-01-29T14:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/droptimes.com.br\/site\/?p=6739"},"modified":"2026-01-29T17:11:19","modified_gmt":"2026-01-29T14:11:19","slug":"gravadoras-sem-branding-viram-apenas-distribuidoras-falamos-com-diogo-oband-matthias-sperlich-e-zeo-guinle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/droptimes.com.br\/site\/gravadoras-sem-branding-viram-apenas-distribuidoras-falamos-com-diogo-oband-matthias-sperlich-e-zeo-guinle\/","title":{"rendered":"Gravadoras sem branding viram apenas distribuidoras? Falamos com Diogo O\u2019Band, Matthias Sperlich e Zeo Guinle"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quando a Hed Kandi entrou em colapso financeiro no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, o problema n\u00e3o foi a falta de visibilidade, alcance ou cat\u00e1logo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O selo, que havia se tornado um fen\u00f4meno global da house music nos anos 2000, perdeu relev\u00e2ncia justamente no momento em que deixou de sustentar uma curadoria clara e diluiu sua identidade em excesso de lan\u00e7amentos, sub selos e produtos paralelos. O caso tornou-se um exemplo recorrente no mercado eletr\u00f4nico de como uma gravadora pode sobreviver operacionalmente por anos, mas ruir culturalmente ao perder o v\u00ednculo entre marca, m\u00fasica e significado<\/p>\n\n\n\n<p>Em um mercado em que a distribui\u00e7\u00e3o deixou de ser diferencial competitivo, a m\u00fasica eletr\u00f4nica exp\u00f5e com clareza uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural: gravadoras que n\u00e3o constroem identidade cultural tendem a operar cada vez mais como infraestruturas t\u00e9cnicas. O acesso universal \u00e0s ferramentas de lan\u00e7amento deslocou o valor do \u201ccomo lan\u00e7ar\u201d para o \u201cpor que lan\u00e7ar\u201d, reposicionando o papel dos selos dentro de umecossistema marcado por excesso de oferta, fragmenta\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos e aten\u00e7\u00e3o escassa.<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o acelerada da m\u00fasica eletr\u00f4nica, especialmente a partir de sua aproxima\u00e7\u00e3o com o mainstream, estimulou o surgimento de modelos focados em volume, cat\u00e1logo e monetiza\u00e7\u00e3o de curto prazo. Nesse processo, parte do mercado reduziu o papel das gravadoras \u00e0 fun\u00e7\u00e3o operacional, esvaziando sua dimens\u00e3o curatorial. O pr\u00f3prio setor, no entanto, passou a evidenciar os limites desse modelo. Em um ambiente onde qualquer artista pode distribuir sua m\u00fasica de forma independente, selos que n\u00e3o agregam contexto, narrativa e posicionamento perdem relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/p>\n\n\n\n<p>As respostas reunidas neste artigo apontam para um consenso entre estrategistas e donos de gravadora: identidade n\u00e3o \u00e9 um elemento acess\u00f3rio, mas um ativo central. Curadoria rigorosa, linguagem sonora coerente, est\u00e9tica reconhec\u00edvel e constru\u00e7\u00e3o de comunidade aparecem como pilares que diferenciam gravadoras que funcionam como agentes culturais daquelas que se limitam a intermediar lan\u00e7amentos. Nesse sentido, a m\u00fasica deixa de ser o produto final e passa a ser o eixo em torno do qual se organiza um ecossistema simb\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro do mercado tende a favorecer selos que operam como autoridades dentro de nichos bem definidos, capazes de gerar confian\u00e7a em meio \u00e0 abund\u00e2ncia. Em vez de estruturas generalistas, ganham espa\u00e7o gravadoras com posicionamento claro, convic\u00e7\u00e3o editorial e capacidade de dizer \u201cn\u00e3o\u201d. A seguir, tr\u00eas perspectivas complementares aprofundam essa leitura a partir da experi\u00eancia em estrat\u00e9gia musical, da longevidade de uma gravadora ic\u00f4nica e da cria\u00e7\u00e3o de um selo concebido j\u00e1 sob a l\u00f3gica da identidade como diferencial competitivo.Para explorar esse assunto, <strong>Nazen Carneiro<\/strong> bateu um papo com especialistas da \u00e1rea, seja no marketing, seja no dia a dia da gest\u00e3o das gravadoras. Diogo O\u2019Band, estrategista musical e fundador da <strong>NOMMAD Media<\/strong>, e dois donos de gravadora: Matthias Sperlich, fundador da <strong>Iono Music<\/strong>, gravadora alem\u00e3 que celebra 20 anos &#8211; e \u00e9 uma das mais ic\u00f4nicas do mundo &#8211; e <strong>Zeo Guinle<\/strong>, fundador da Zero Gravity, primeira gravadora 100% Dolby ATMOS do mundo e que tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da Tropical Beats, gravadora que operou por mais de 15 anos e alcan\u00e7ou milh\u00f5es de streams.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"689\" src=\"https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-01-Diogo-OBand-1024x689.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6741\" srcset=\"https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-01-Diogo-OBand-1024x689.jpg 1024w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-01-Diogo-OBand-300x202.jpg 300w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-01-Diogo-OBand-768x517.jpg 768w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-01-Diogo-OBand.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Na sua vis\u00e3o, em que momento as gravadoras de m\u00fasica eletr\u00f4nica deixaram de atuar como curadoras culturais para se tornarem, em muitos casos, apenas infraestruturas de distribui\u00e7\u00e3o? Que fatores de mercado aceleraram esse processo?<\/strong>Isso acontece sempre que um mercado entra em forte expans\u00e3o e se aproxima do mainstream. Quando a m\u00fasica eletr\u00f4nica come\u00e7ou a crescer rapidamente, surgiram agentes que enxergaram o movimento apenas como oportunidade financeira. Gravadoras com vis\u00e3o puramente operacional entraram no jogo focadas em volume, cat\u00e1logo e monetiza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, deixando de lado o papel cultural. Mas esse modelo se mostrou limitado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, ficou claro que atuar apenas como infraestrutura de distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o sustenta uma gravadora no m\u00e9dio e longo prazo. Hoje, as que realmente se mant\u00eam relevantes entenderam que, para gerar valor como neg\u00f3cio, precisam voltar a atuar como curadoras culturais. As gravadoras mais s\u00f3lidas criam ecossistemas, desenvolvem identidade sonora clara, organizam eventos f\u00edsicos e digitais e constroem comunidades em torno de um estilo, s\u00edmbolos e comportamentos compartilhados. Elas deixam de ser apenas um selo e passam a ser um ponto de encontro cultural. O pr\u00f3prio mercado corrigiu esse esvaziamento. Hoje, quem n\u00e3o atua como agente cultural ativo simplesmente n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Em um cen\u00e1rio altamente saturado, qual \u00e9 o impacto real da aus\u00eancia de branding e identidade cultural para um selo? Onde essas gravadoras perdem valor para o artista, para o p\u00fablico e para o ecossistema como um todo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o acredito que o mercado esteja saturado. A m\u00fasica eletr\u00f4nica se renova o tempo todo, incorporando novos subg\u00eaneros, est\u00e9ticas e comportamentos. Saturado \u00e9 apenas o espa\u00e7o de quem n\u00e3o consegue se diferenciar. Qualquer mercado parece saturado para quem \u00e9 gen\u00e9rico. A aus\u00eancia de branding e identidade cultural faz com que um selo perca valor muito rapidamente. Sem uma proposta clara, ele vira apenas um ponto de distribui\u00e7\u00e3o. O artista n\u00e3o entende por que deveria se associar \u00e0quele nome e o p\u00fablico n\u00e3o desenvolve identifica\u00e7\u00e3o emocional nem desejo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Voc\u00ea costuma defender que selos fortes operam como plataformas culturais, n\u00e3o apenas como cat\u00e1logos. Quais elementos concretos constroem essa identidade narrativa, est\u00e9tica, curadoria e comunidade? Quais s\u00e3o os erros mais comuns nesse processo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os selos mais fortes do mundo n\u00e3o funcionam apenas como reposit\u00f3rios de m\u00fasica. Eles atuam como agentes culturais. Criam movimento, contexto e pertencimento. A m\u00fasica \u00e9 o ponto de partida, mas n\u00e3o \u00e9 o produto final. Ela \u00e9 o centro gravitacional em torno do qual pessoas com gostos, desejos e vis\u00f5es semelhantes se encontram. Curadoria \u00e9 o primeiro pilar. Um selo forte diz mais n\u00e3o do que sim e deixa claro o que pertence e o que n\u00e3o pertence ao seu universo sonoro. Depois vem a narrativa, a capacidade de representar uma ideia, uma vis\u00e3o de mundo, um recorte cultural reconhec\u00edvel. A est\u00e9tica sustenta essa narrativa visualmente, criando familiaridade imediata. Por fim, a comunidade, com eventos, showcases, conte\u00fados e pontos de contato que transformam o selo em um lugar de encontro e n\u00e3o apenas em um logo num release. O erro mais comum \u00e9 tentar agradar todo mundo e acabar n\u00e3o representando ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Do ponto de vista estrat\u00e9gico, como a ascens\u00e3o do modelo DIY e das ferramentas de autopublica\u00e7\u00e3o redefiniu o papel das gravadoras? Ainda faz sentido existir um selo sem posicionamento claro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o faz o menor sentido existir um selo sem posicionamento claro e muito menos sem atuar como agente cultural. Hoje, quando um artista lan\u00e7a por uma gravadora, ele est\u00e1 abrindo m\u00e3o de parte dos royalties e do controle de algo que levou anos para construir. Se o selo n\u00e3o soma valor real, n\u00e3o existe raz\u00e3o estrat\u00e9gica para esse acordo. O modelo DIY deixou isso evidente. Qualquer artista consegue hoje distribuir sua m\u00fasica em todas as plataformas com poucos cliques. Isso significa que as gravadoras deixaram de ser gatekeepers. As gravadoras s\u00f3 fazem sentido quando agregam algo que o artista n\u00e3o consegue fazer sozinho: soma cultural, estrat\u00e9gica e simb\u00f3lica. Sem isso, o selo vira apenas um intermedi\u00e1rio caro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Olhando para os pr\u00f3ximos anos, que tipo de gravadora tende a sobreviver e crescer na m\u00fasica eletr\u00f4nica? O que selos que hoje operam apenas como distribuidores precisariam mudar para voltar a ser relevantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mercado caminha para um cen\u00e1rio menos dominado por grandes hits globais e mais orientado a nichos bem definidos. A diversidade est\u00e9tica fragmentou a aten\u00e7\u00e3o e mudou o papel das gravadoras. As que tendem a sobreviver ser\u00e3o aquelas que funcionam como autoridades dentro de um subg\u00eanero, selos que d\u00e3o chancela, credibilidade e contexto cultural. J\u00e1 os que operam apenas como distribuidores precisam encontrar um porqu\u00ea. Para voltar a ser relevantes, precisam abandonar a l\u00f3gica puramente operacional e assumir um papel cultural ativo, com curadoria rigorosa, identidade clara, narrativa forte e constru\u00e7\u00e3o de comunidade. Sem isso, n\u00e3o existe longevidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-03-ZEO-GUINLE-011-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6742\" srcset=\"https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-03-ZEO-GUINLE-011-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-03-ZEO-GUINLE-011-225x300.jpeg 225w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-03-ZEO-GUINLE-011-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-03-ZEO-GUINLE-011-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/droptimes.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Image-03-ZEO-GUINLE-011-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Quais decis\u00f5es estrat\u00e9gicas foram mais determinantes para manter a IONO Music relevante por mais de duas d\u00e9cadas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olhando em retrospecto, uma das decis\u00f5es mais importantes foi resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de seguir tend\u00eancias e, em vez disso, assumir o compromisso de desenvolver e proteger uma linguagem sonora pr\u00f3pria. A IONO nunca foi constru\u00edda em torno da ideia de lan\u00e7ar o m\u00e1ximo de m\u00fasica poss\u00edvel, mas sim de lan\u00e7ar a m\u00fasica certa. Enquanto muitos selos acabaram se tornando pouco mais do que plataformas de distribui\u00e7\u00e3o, a IONO optou conscientemente pela curadoria, pelo pensamento de longo prazo e pelo desenvolvimento de artistas. Os artistas sempre foram tratados como parte de uma vis\u00e3o compartilhada, e n\u00e3o como fornecedores de conte\u00fado intercambi\u00e1veis. Essa abordagem pode ter desacelerado o crescimento em alguns momentos, mas garantiu relev\u00e2ncia duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Como a IONO equilibra consist\u00eancia art\u00edstica e sustentabilidade comercial? E o que se perde quando a curadoria \u00e9 sacrificada em nome da escala?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma era definida pela velocidade e pelo volume, a consist\u00eancia \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o deliberadamente contr\u00e1ria. Sustentabilidade comercial n\u00e3o se constr\u00f3i apenas com quantidade, mas com a confian\u00e7a do p\u00fablico e dos artistas. No momento em que um selo abandona seu papel curatorial em favor da escala, ele perde sua voz e se torna gen\u00e9rico. A m\u00fasica deixa de ser percebida como express\u00e3o cultural e passa a ser um produto sem contexto. O que desaparece no longo prazo \u00e9 identidade, convic\u00e7\u00e3o e peso cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Qual \u00e9 o papel de um selo hoje? Ele ainda molda cenas e educa o p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um selo pode j\u00e1 n\u00e3o ser o \u00fanico gatekeeper, mas continua sendo um ponto de orienta\u00e7\u00e3o. Algoritmos podem gerar alcance, mas n\u00e3o criam significado. Os selos ainda carregam a responsabilidade de oferecer contexto, continuidade e perspectiva. Talvez n\u00e3o ditem mais cenas como antes, mas ainda podem mold\u00e1-las ao criar espa\u00e7os para profundidade, evolu\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia. Em um ecossistema fragmentado, esse papel se tornou mais importante, n\u00e3o menos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Depois de 20 anos, o que mudou de forma fundamental na rela\u00e7\u00e3o entre selo e artista? E o que permanece inegoci\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o se tornou mais transparente e baseada em parceria. Hoje, os artistas s\u00e3o mais informados, independentes e empreendedores do que no passado, o que \u00e9 um avan\u00e7o positivo. O que permanece inegoci\u00e1vel \u00e9 o respeito m\u00fatuo e a confian\u00e7a. Um selo precisa sustentar a m\u00fasica, n\u00e3o apenas os n\u00fameros. Quando a rela\u00e7\u00e3o se torna puramente transacional, ela perde subst\u00e2ncia e longevidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Que conselho voc\u00ea daria a selos emergentes que surgem sem uma identidade ou posicionamento cultural claros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ar um selo sem uma vis\u00e3o definida \u00e9 um dos erros mais comuns. Embora o branding possa ser ajustado com o tempo, credibilidade n\u00e3o pode ser fabricada depois. Um selo precisa saber, desde o in\u00edcio, o que representa do ponto de vista sonoro, cultural e \u00e9tico. Relev\u00e2ncia de longo prazo n\u00e3o se constr\u00f3i por otimiza\u00e7\u00e3o, mas por convic\u00e7\u00e3o. Uma identidade forte pode parecer limitadora no come\u00e7o, mas \u00e9 exatamente isso que permite que um selo atravesse o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Ao longo da sua trajet\u00f3ria \u00e0 frente da Tropical Beats Music e agora com a ZERO GRAVITY MUSIC, em que momento a identidade sonora e visual deixa de ser apenas um elemento est\u00e9tico e passa a se tornar um ativo estrat\u00e9gico para a consolida\u00e7\u00e3o de um selo no mercado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A identidade vira uma estrat\u00e9gia real quando o p\u00fablico reconhece o selo imediatamente. Quando algu\u00e9m bate o olho no logo ou ouve os primeiros segundos de uma faixa e j\u00e1 sabe o que esperar, o selo passa a funcionar como um carimbo de confian\u00e7a. Na Zero Gravity Music, a identidade \u00e9 o que garante valor de marca em meio ao excesso de lan\u00e7amentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: A Tropical Beats Music nasceu em 2008 e permaneceu ativa por 15 anos. O que essa experi\u00eancia ensinou sobre coer\u00eancia est\u00e9tica, curadoria e constru\u00e7\u00e3o de identidade ao longo das mudan\u00e7as do mercado eletr\u00f4nico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Liderar a Tropical Beats por 15 anos foi a minha maior escola. O mercado mudou completamente, mas a principal li\u00e7\u00e3o foi aprender a separar tend\u00eancia passageira de subst\u00e2ncia real. Curadoria n\u00e3o \u00e9 lan\u00e7ar o que est\u00e1 em alta hoje, \u00e9 escolher m\u00fasicas que fa\u00e7am sentido agora e no futuro. Manter coer\u00eancia mesmo quando o mercado muda de dire\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para construir identidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Como voc\u00ea equilibra a liberdade criativa dos artistas com a necessidade de manter uma assinatura sonora clara e reconhec\u00edvel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segredo n\u00e3o \u00e9 tentar mudar o som do artista, mas escolher o artista certo, que j\u00e1 tenha o DNA do selo. Eu funciono como um filtro. Busco talentos que estejam na mesma sintonia do que o selo acredita. A liberdade criativa \u00e9 total, mas a assinatura sonora protege a gravadora de se tornar gen\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: A ZERO GRAVITY MUSIC estreia como a primeira gravadora 100% Dolby Atmos. Em que medida a tecnologia passa a integrar identidade, narrativa e posicionamento art\u00edstico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Zero Gravity, o Dolby Atmos \u00e9 o alicerce, n\u00e3o um detalhe t\u00e9cnico. A tecnologia vira identidade quando muda a forma como a m\u00fasica \u00e9 sentida e consumida. N\u00e3o estamos apenas seguindo uma tend\u00eancia, estamos criando um novo padr\u00e3o de audi\u00e7\u00e3o, o que posiciona o selo em um lugar \u00fanico no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Drop Times: Em um ecossistema dominado por algoritmos e m\u00e9tricas de curto prazo, quais decis\u00f5es s\u00e3o essenciais para manter identidade e longevidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Saber dizer n\u00e3o \u00e9 a decis\u00e3o mais estrat\u00e9gica. Seguir apenas o que o algoritmo pede destr\u00f3i a imagem de um selo no longo prazo. Preferimos relev\u00e2ncia a volume. Ser autoridade em um nicho cria uma base s\u00f3lida. A longevidade vem de ser fiel \u00e0 proposta original e n\u00e3o se vender para m\u00e9tricas r\u00e1pidas que n\u00e3o constroem uma hist\u00f3ria real.<br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a Hed Kandi entrou em colapso financeiro no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, o problema n\u00e3o foi a falta de visibilidade, alcance ou cat\u00e1logo. 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