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Pete Tong no D-EDGE SP: do rádio à pista, a trajetória do homem que ajudou a transformar a música eletrônica em cultura global

Nesta sexta-feira, 25, a Freak Chic recebe no D-EDGE SP um nome cuja importância para a música eletrônica vai

Pete Tong no D-EDGE SP: do rádio à pista, a trajetória do homem que ajudou a transformar a música eletrônica em cultura global

Nesta sexta-feira, 25, a Freak Chic recebe no D-EDGE SP um nome cuja importância para a música eletrônica vai muito além da cabine. Acompanhado por Cour T. e Sarah Stenzel, Pete Tong chega ao clube paulistano trazendo uma carreira que atravessa mais de quatro décadas e algumas das transformações mais importantes da cultura clubber.

Para entender quem é o DJ, porém, é preciso começar por outro lugar. Antes de se tornar uma estrela internacional, antes do “Essential Mix”, de “Ibiza Classics” e antes mesmo de seu nome virar uma expressão da cultura britânica, Tong foi um apaixonado por música que encontrou no rádio, no jornalismo, no A&R e nos clubs, diferentes maneiras de descobrir o que estava por vir.

Foi justamente essa capacidade de identificar movimentos antes de eles se tornarem óbvios que construiu sua reputação.

Antes de ser apresentador, Pete Tong já era um caçador de música

Nascido em Dartford, no condado de Kent, em 1960, Pete Tong começou a trabalhar profissionalmente com música ainda jovem. Sua primeira experiência radiofônica aconteceu no fim dos anos 1970, na Radio Invicta, uma estação pirata dedicada à soul music. Paralelamente, passou pela revista Blues & Soul, primeiro na área comercial e depois também escrevendo sobre música.

Em 1983, entrou para a London Records como profissional de A&R. Foi nesse ambiente que teve contato cada vez mais próximo com novas cenas que chegavam ao Reino Unido, especialmente a house music produzida em Chicago. 

Em vez de esperar que o gênero fosse legitimado pelo mercado, Pete foi atrás dele: viajou aos Estados Unidos, aproximou-se dos selos que estavam construindo aquela cena e participou da montagem de “The House Sound of Chicago”, compilação lançada no Reino Unido em 1986, considerada uma das primeiras grandes portas de entrada da house de Chicago para o público britânico.

O rádio transformou seu alcance – e a música eletrônica mudou junto

Quando Pete Tong chegou à BBC Radio 1, em 1991, a relação entre a música eletrônica e o grande público britânico ainda estava sendo construída. Seu programa de sexta-feira, o “Essential Selection”, rapidamente se transformou em um espaço fundamental para acompanhar o que estava acontecendo nos clubes.

Dois anos depois, o DJ estaria novamente no centro de uma revolução radiofônica. Em 30 de outubro de 1993, a BBC lançou o primeiro episódio do “Essential Mix”, e foi o próprio Pete Tong quem realizou a primeira mixagem. 

O formato estabeleceu a ideia de que um DJ poderia ocupar duas horas de rádio praticamente sem interrupções, construindo uma narrativa musical própria – algo que acabou se tornando um dos formatos mais importantes da história da rádio dedicada à música eletrônica.

O “Essential Mix” atravessou décadas, apresentou ao público alguns dos maiores DJs do mundo e também registrou momentos históricos da cultura clubber, como as primeiras transmissões ao vivo da BBC a partir de Ibiza. O próprio arquivo internacional da emissora destaca o programa como um dos de maior longevidade da Radio 1.

Pete, assim, passou a exercer uma função que é difícil de reproduzir hoje na mesma escala: a de ser uma ponte entre aquilo que estava acontecendo em centenas de clubes e aquilo que um público muito maior ainda não tinha descoberto.

Da pista de Londres para Ibiza

A relação de Pete Tong com Ibiza também é central para entender sua trajetória. A ilha estava no coração da transformação da cultura clubber europeia durante os anos 1980 e 1990, e a presença do DJ e radialista ajudou a aproximar aquela experiência de um público muito mais amplo.

O próprio “Essential Selection” foi o primeiro programa da BBC a transmitir ao vivo de Ibiza, e o “Essential Mix” também registrou alguns dos capítulos mais importantes da história da ilha. Esse vínculo culminaria, anos depois, em um projeto completamente diferente: “Ibiza Classics”.

Criado em 2015 em parceria com o maestro Jules Buckley e uma orquestra, o projeto nasceu originalmente como uma apresentação especial para o festival BBC Proms, celebrando duas décadas da relação entre a Radio 1 e Ibiza. A ideia era levar alguns dos maiores hinos da música eletrônica para o universo sinfônico.

O que deveria ser uma experiência pontual transformou-se em um dos maiores projetos de sua carreira. Em 2025, o “Ibiza Classics” completou dez anos com uma série de apresentações no Royal Albert Hall e uma coletânea comemorativa. Em 2026, o projeto continua circulando pelo Reino Unido com novas apresentações de Pete Tong e da Essential Orchestra.

E ele continua olhando para frente

Seria fácil transformar Pete Tong em uma espécie de personagem histórico, alguém cuja maior contribuição ficou restrita aos anos 1990. Só que sua carreira recente mostra justamente o contrário.

No ano passado, ele lançou Places & Spaces, seu próprio selo voltado à música eletrônica pensada tanto para a pista quanto para a escuta, e colocou o projeto em movimento também como produtor.

Agora, continua produzindo e colaborando com artistas de diferentes gerações. Seu catálogo recente inclui, por exemplo, “Toca’s Miracle”, colaboração com Armin van Buuren e Poppy Baskcomb, lançada em 11 de setembro pela Ministry of Sound – apenas duas semanas antes de sua passagem pelo D-EDGE.

Sua atuação também se expandiu para a formação de novos DJs. A Pete Tong DJ Academy reúne cursos de DJ, produção, mixagem e masterização e tem entre seus professores nomes como Carl Cox, Adam Beyer, Jamie Jones, Nicole Moudaber e TSHA. O projeto ainda mantém um sistema de descoberta de talentos que conecta estudantes a oportunidades de tocar e apresentar suas músicas.

Um nome que virou parte da própria cultura britânica

Há ainda uma curiosidade que dimensiona de maneira quase absurda o quanto o artista ultrapassou os limites da música eletrônica: seu sobrenome virou expressão popular.

A frase britânica “It’s all gone Pete Tong” (“Deu tudo Pete Tong”), usada para dizer que algo deu errado, nasceu como uma brincadeira fonética com “gone wrong” (“deu errado”). O próprio Tong contou à revista NME que a expressão surgiu no ambiente do Boys Own, fanzine ligado à cultura acid house, e que inicialmente era uma provocação dirigida a ele. Anos depois, a expressão foi parar no título do filme “It’s All Gone Pete Tong”, de 2004, no qual o próprio DJ fez uma participação.

Em 2021, a indústria britânica reconheceu justamente a dimensão dessa trajetória ao conceder a Tong o MITS Award, destacando sua contribuição de mais de três décadas à música e à radiodifusão e sua atuação como um dos grandes divulgadores da cultura eletrônica.

Por isso, receber Pete Tong na Freak Chic não significa simplesmente colocar um veterano internacional atrás da cabine, mas trazer ao D-EDGE SP um personagem que participou de diferentes capítulos da construção da cena eletrônica moderna: esteve na descoberta da house de Chicago no Reino Unido, ajudou a criar plataformas que deram visibilidade à dance music, transformou o rádio em extensão da pista, acompanhou a explosão de Ibiza e, décadas depois, continua encontrando novas formas de fazer o gênero circular.

Na sexta-feira, essa história chega a São Paulo em sua forma mais elementar e talvez mais importante: um DJ diante de uma pista. Imperdível.

Serviço

FREAK CHIC D-EDGE SP pres.: P1: COUR T. PETE TONG (UK). SARAH STENZEL

Local: D-EDGE – Av. Mário de Andrade, 141 – Barra Funda, São Paulo – SP

Data: 25/09 (sexta-feira)

Horário: A partir das 23h59

Atrações: 

23:59 – 02:00 = SARAH STENZEL

02:00 – 05:00 = PETE TONG (UK)

05:00 – 08:00 = COUR T.

Ingressos: Terceiro lote a partir de R$ 90,00 (+ taxas) via Ingresse

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Giovana Donatelli