DIA DA TERRA: FESTIVAIS GLOBAIS PROVAM QUE SER SUSTENTÁVEL FUNCIONA
Antes do Dia da Terra, a A Greener Future (AGF), organização sem fins lucrativos dedicada a tornar o setor
Antes do Dia da Terra, a A Greener Future (AGF), organização sem fins lucrativos dedicada a tornar o setor de eventos ao vivo mais sustentável, destaca como os festivais estão liderando o caminho em iniciativas ambientais com soluções inovadoras, econômicas e que reduzem emissões.
Embora o Dia da Terra seja um momento de reflexão, a indústria global de eventos já está agindo e avançando. De energia e alimentação à infraestrutura e transporte, festivais ao redor do mundo estão implementando estratégias para reduzir seu impacto ambiental. Isso quebra a narrativa de que ser sustentável custa mais e de que menus à base de plantas não funcionam. Os festivais estão sendo catalisadores de uma transição necessária tanto na indústria de eventos quanto no mundo.
Segundo Claire O’Neill, especialista em sustentabilidade de festivais e cofundadora da AGF: “Festivais são ótimos lugares para experimentar e explorar novas (e antigas) formas de fazer as coisas. Da água à energia e à restauração da biodiversidade, quando bem feitos, eles mostram alternativas mais sustentáveis.”
Festivais que provam que ser sustentável funciona…
Primavera Sound Barcelona, Espanha – Melhorando a eficiência energética em larga escala
Maximizar a eficiência energética e utilizar fontes de energia com menor impacto ambiental é um objetivo de muitos eventos. O Primavera Sound está focado em melhorar sua eficiência energética ao reforçar a eletrificação e otimizar o uso de baterias e o consumo de combustível em geradores.
Para isso, pretende expandir áreas e/ou equipamentos conectados à rede elétrica principal; limitar a energia fornecida aos pontos de alimentação conforme o consumo real; revisar o design das instalações de geradores para padronizar o uso; e otimizar a instalação de baterias para maximizar sua eficiência.
Paradise City, Bélgica – Mudando a cultura alimentar para opções de menor impacto
O que comemos e bebemos é crucial quando se fala em sustentabilidade, já que um terço das emissões globais vem da alimentação e agricultura, além dos impactos na biodiversidade, na saúde humana e no bem-estar animal.
Uma das sessões mais comentadas da recente Green Events & Innovations Conference foi “Beyond The Burger Van”, onde Petra Daniëls, curadora de alimentos do Paradise City Group, compartilhou insights sobre menus à base de plantas em festivais.
“Como a ciência comprova, todos devemos consumir mais alimentos de origem vegetal, tanto pelo planeta quanto pela nossa saúde. Infelizmente, essas opções não são fáceis de encontrar em eventos. Muitas vezes há poucas opções vegetarianas ou veganas, ou elas são apresentadas de forma inadequada”, afirma Petra. “Para implementar uma política sustentável na alimentação, é necessário apoio da equipe e da gestão. Eventos ainda precisam ser lucrativos, então é importante demonstrar que opções sustentáveis também geram retorno.”
Cinco principais dicas de Petra:
- Exigir que todos os fornecedores incluam ao menos uma opção vegetariana ou vegana no cardápio.
- Colocar esse prato no topo do menu, deixando os pratos com carne por último.
- Tornar o prato com carne sempre mais caro.
- Reduzir drasticamente a pegada de carbono eliminando carne bovina e de cordeiro; frango e porco têm menor impacto.
- Comunicação é essencial: evitar termos como “vegetariano” ou “vegano” e usar descrições criativas. Por exemplo, “lasanha al forno de cultivo natural” soa mais atrativo do que “lasanha vegana”.
DGTL, Países Baixos – Colocando transporte e mobilidade no centro do planejamento
O transporte é um dos maiores desafios ambientais em eventos. Com deslocamento de público, equipe e artistas ainda altamente emissor de carbono, organizadores estão adotando práticas para reduzir esse impacto.
O DGTL, vencedor recente de prêmio da AGF, possui um plano detalhado de mobilidade, metas claras e monitoramento robusto. Sua localização estratégica permite que a maioria do público chegue por transporte público, bicicleta ou a pé, sem estacionamento dedicado.
Desde a contratação de artistas locais até o uso de combustíveis sustentáveis na aviação e eletrificação de veículos, o DGTL mostra que é possível transformar a mobilidade sem comprometer a experiência do público.
Ultra Festival, EUA – Repensando a energia dos palcos
A energia em eventos é um tema central na sustentabilidade e também um campo de inovação. O Ultra Music Festival fez história ao ser o primeiro grande festival de música eletrônica nos EUA a alimentar um palco de grande escala com baterias de zero emissão.
Seu programa Mission: Home utilizou um sistema de baterias inteligente carregado pela rede elétrica, eliminando emissões no local.
“Todos os anos buscamos ir além, e este novo capítulo mostra como colaboração, inovação e cultura podem gerar impacto duradouro”, afirma Vivian Belzaguy Hunter, diretora de sustentabilidade do Ultra.
Essa evolução reforça que produção de alta energia e responsabilidade ambiental podem coexistir.
All Points East, Reino Unido – Melhorando a gestão de resíduos
O festival implementou uma instalação dedicada à triagem de resíduos no local, permitindo melhor controle e eficiência.
Construída com materiais reutilizados, a estrutura possibilitou separar resíduos de forma eficaz. Lixeiras captavam resíduos mistos, recicláveis e vapes, enquanto bastidores garantiam a separação de vidro e resíduos orgânicos, com uso de utensílios 100% compostáveis.
O evento também utilizou sistema de baterias alimentado por energia eólica e solar.
Green Gathering, Reino Unido – Integrando a permacultura
O Green Gathering é referência em práticas sustentáveis há anos. Seu espaço Field Families aplica princípios de permacultura, mostrando como viver de forma sustentável de maneira prática e comunitária.
Desde 1998, o programa oferece oficinas sobre cultivo de alimentos, conservação, vida comunitária e baixo impacto ambiental.
O evento conta com três áreas principais: cuidado com a terra, cuidado com as pessoas e partilha justa. Há ainda espaços para construção com terra, manutenção de bicicletas e até uma loja gratuita com roupas e itens reutilizados.
Isso mostra que festivais podem ir além da redução de impacto, tornando-se espaços de experimentação de novos modos de vida.
Transporte, alimentação e materiais são áreas-chave na sustentabilidade de eventos, e esses exemplos refletem uma mudança mais ampla no setor, onde a sustentabilidade está se tornando padrão.