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Armin van Buuren e a Apple Music discutem o futuro da música eletrônica em painel na Winter Music Conference, em Miami.

No dia 25 de março, Armin participou de uma conversa ao lado de Stephen Campbell e Tim Sweeney sobre

Armin van Buuren e a Apple Music discutem o futuro da música eletrônica em painel na Winter Music Conference, em Miami.

No dia 25 de março, Armin participou de uma conversa ao lado de Stephen Campbell e Tim Sweeney sobre a evolução dos DJ sets, o retorno do trance e o impacto do áudio imersivo na experiência musical. O artista refletiu sobre sua trajetória e destacou como o Spatial Audio cria novas formas de conexão entre DJs e público.

O painel também abordou a importância crescente de mixes licenciados oficialmente, além do papel da Apple Music na preservação de sets históricos e na curadoria feita por especialistas inseridos na cultura clubber global.

Armin comentou ainda sobre seus projetos recentes, incluindo um álbum acústico de piano e um DJ mix clássico exclusivo, explorando como novas tecnologias ampliam as possibilidades criativas.

Sobre inteligência artificial, ele afirmou que o setor vive uma transição inevitável. Destacou que a tecnologia tende a evoluir rapidamente, que ignorá-la pode significar ficar para trás, e comparou o momento atual à introdução das ferramentas digitais de gravação no fim dos anos 80.

Stephen Campbell reforçou a importância da curadoria humana, destacando que a descoberta musical só faz sentido quando feita por pessoas realmente conectadas à cena e à cultura dos clubes.

Armin van Buuren sobre o trance “voltar a ser cool”:

Ele relembra que, no auge da carreira, chegou a considerar parar por volta de 2011, mesmo estando em um momento alto. Ainda assim, decidiu continuar por acreditar profundamente no som que fazia. Segundo ele, o trance deixou de ser visto com certo preconceito dentro da cena e voltou a ganhar respeito — inclusive com artistas de techno reaproximando-se de elementos melódicos. A comparação é direta: como uma peça antiga do guarda-roupa que, depois de décadas, volta a ser desejada.

Para Armin, isso reforça a importância de permanecer fiel ao que realmente conecta com o artista. Mesmo quando o gênero deixou de ser popular, ele nunca perdeu a identificação com o trance, que descreve como o estilo mais próximo de quem ele é. Tocar qualquer outra coisa, nesse contexto, soaria pouco autêntico.

Sobre como se destacar como DJ na indústria:

Ele aponta que um dos caminhos mais diretos ainda é produzir uma faixa que outros DJs queiram tocar — isso pode colocar um artista rapidamente no radar. Mas ressalta que não é suficiente apenas estudar referências: é essencial desenvolver uma identidade própria. A questão central, segundo ele, é simples e estratégica — por que alguém sairia de casa para ver o seu set?

A resposta precisa ser clara. Em um mercado saturado, diferenciação é essencial. Ter um conceito sólido, uma abordagem única e coragem para fugir do óbvio são fatores que transformam um DJ em artista.

Sobre trabalhar com Spatial Audio:

Armin destaca o desafio técnico de adaptar um álbum de piano acústico para esse formato, algo que inicialmente não dominava. Com o tempo, passou a entender o potencial: o Spatial Audio permite mais espaço e respiro na mixagem, especialmente relevante na música eletrônica, onde muitos elementos competem ao mesmo tempo. O resultado é uma experiência sonora mais limpa e menos agressiva para o ouvido.

Sobre criar um DJ mix clássico para a Apple Music:

Ele descreve o projeto como algo inesperado — quase um movimento pessoal — ao produzir um álbum de piano e, a partir disso, um DJ mix inteiramente composto por música clássica. Sem estruturas tradicionais da música eletrônica, como drops ou builds, o foco passou a ser harmonia, progressão e fluidez entre as faixas.

O processo envolveu uma imersão profunda em obras clássicas em alta qualidade, resultando em um projeto que ele mesmo não teria desenvolvido sem esse incentivo externo — e que acabou sendo muito bem recebido.

Stephen Campbell sobre o impacto de licenciar corretamente DJ mixes:

Ele afirma que isso muda completamente o jogo. Segundo Campbell, grande parte do trabalho envolve revisitar arquivos para recuperar gravações que ficaram perdidas na obscuridade digital — sets que foram fundamentais para toda uma geração, especialmente na cena de clubes de Londres, como os icônicos mixes do Fabric e das fitas do The Box.

Ele também destaca a colaboração com a K7 para disponibilizar esse material na Apple Music, algo que antes simplesmente não era viável. A partir desse processo, esses registros deixam de ser raridades inacessíveis e passam a fazer parte ativa da cultura musical contemporânea.

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Giovana Donatelli